ANAMORPHOSIS – Revista Internacional de Direito e Literatura, v. 11, n. 1, e1227
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pueden contribuir a la expansión del conocimiento jurídico, especialmente en tiempos de dogmatismo y
simplificación dentro del Derecho.
PALABRAS CLAVE: Derecho y artes visuales; Derecho y literatura; Metodología; Investigación jurídica.
ABSTRACT: The relationship between Law and visual arts holds a potential for creativity, imagination, and a critical
transformation of the Law. Images also participate in the discursive system of Law and produce effects upon it.
Connecting individual imagination and social imaginary, the visual arts share in the process of the visual
legitimation of Law. The central question is how to establish, in methodological terms, this complex relationship?
What types of research exist? What are the possibilities of connection, and what purposes do the different forms of
relationship between Law and visual arts serve? Following an analytical methodology and a technical bibliographic
review, particularly inspired by the methodological reflections in the field of Law and Literature by Karam (2017),
this paper distinguishes four epistemic dimensions of analysis: a) law of art, b) law as art, c) law in art, and d) law
through art; and four methodological levels of image usage as a) illustration, b) ornamentation, c) dissemination,
and d) critical representation of Law. As a result, it is concluded that studies on Law and visual arts can contribute
to the expansion of legal knowledge, especially in times of dogmatism and simplification within the Law.
KEYWORDS: Law and Visual Arts; Law and Literature; Methodology; Legal research.
1 INTRODUÇÃO
As pesquisas em direito e literatura têm demonstrado como as narrativas literárias são
importantes, não só para suscitar a criatividade e imaginação na prática jurídica, mas
sobretudo para provocar transformações nos conceitos, institutos jurídicos e em nós mesmos
(Karam, 2017, p. 827). Uma outa linha de pesquisa, muito parecida, mas com um objeto de
análise diferente, são as pesquisas sobre a relação entre direito e artes visuais. Pouquíssimo
explorada em nível mundial, essa relação também possui aquele potencial de criatividade,
imaginação e transformação. Afinal, as artes visuais também são formas de linguagem
narrativa, só que ao invés de literárias, são iconográficas, visuais, imagéticas. E do mesmo
modo que precisamos aprender a ler e interpretar uma narrativa literária, também precisamos
aprender a ler e a interpretar imagens.
Imagens também são formas de discurso que estruturam conceitos, produzem
imaginários, definem formas de sentido. Como qualquer narrativa, as imagens também
participam do sistema de discursividade que define a positividade daquilo que merece ser
lembrado e daquilo que deve ser esquecido (Foucault, 2008, p. 170; Derrida, 1995, p. 16).
Pinturas, fotografias, estátuas, gravuras, desenhos, arquitetura, teatro, cinema, balé e
performances são inteligentes formas de construção de sentido do direito, que definem, no
plano visual, conceitos e fundamentos de nossa prática jurídica. Mais do que meros
documentos ou representações, as artes visuais constituem importantes formas de
compreensão crítica do direito e da cultura jurídica. Entretanto, a leitura de imagens não é um
processo simples. Apesar de ela ser superficialmente intuitiva, porque baseada em uma
linguagem que podemos considerar universal, as artes visuais se definem por complexos jogos