MEMÓRIA COMO DIREITO FUNDAMENTAL E HUMANO EM “VIDAS SECAS”
Resumo
O Direito à Memória relaciona-se à cidadania e à cultura. Graciliano Ramos em “Vidas Secas” narra as experiências da nordestinidade em busca de uma vida digna. Este artigo pretende analisar o Direito à Memória no âmbito dos direitos fundamentais e humanos para compreender o processo de formação da memória em "Vidas Secas”. Para tanto, utiliza-se a perspectiva jusliterária, relacionando a construção da memória com o onírico desejante dos personagens de Ramos por uma vida plena de direitos. Dialeticamente, a realidade áspera das personagens fincada na experiência da miserabilidade e da incerteza, marcada no cotidiano de luta pela sobrevivência dos retirantes nordestinos. A pesquisa pauta-se no método qualitativo de caráter hermenêutico e fenomenológico, abordando os temas centrais pesquisados de modo interdisciplinar. Considera-se o Direito à Memória um direito fundamental inscrito no âmbito internacional dos direitos humanos que se relaciona com a estética da fome Latino Americana. Assim, a forma da literariedade de Graciliano Ramos incorpora a esperança como resistência pelo direito de existir dignamente, traz o alicerce vital para a superação das angústias proporcionando reflexões que se fundam na necessidade de Justiça Social e Dignidade.