DAS MEMÓRIAS DO SUBSOLO À ABOLIÇÃO DO HOMEM
A MORALIDADE OBJETIVA COMO CRÍTICA AO SUBJETIVISMO MORAL CONTEMPORÂNEO AO ACESSO À JUSTIÇA
Resumo
Resumo: Este artigo compara as conclusões extraídas de Memórias do Subsolo, de Fiódor Dostoiévski, e os valores apresentados em A Abolição do Homem, de C. S. Lewis, com ênfase na crítica compartilhada ao relativismo moral. Trata-se de um relativismo que impõe contextos ideológicos como critérios de acesso à justiça. Embora distintas em época e linguagem, ambas as obras convergem na defesa da integridade psíquica sustentada por valores morais objetivos — condição essencial para uma estrutura social coesa e funcional. A partir das interfaces entre direito, literatura e psiquiatria, o estudo traça paralelos entre o “homem do subsolo” e os “homens sem peito”, figuras que simbolizam, na atualidade, os efeitos do subjetivismo moral contemporâneo que substitui a justiça por afetos voláteis e identidades amorfas. Conclui-se que a moralidade objetiva é o fundamento tanto do equilíbrio interno quanto da coesão social — pressuposto de uma justiça verdadeiramente humanizadora e resistente ao colapso ético de nosso tempo.