A METÁFORA DO MONSTRO
UMA LEITURA DAS REPRESENTAÇÕES DOS MONSTROS MORAIS VITORIANOS E DO NOSFERATU DE EGGERS
Resumo
O objetivo geral deste trabalho é analisar o que Nosferatu de Eggers representa sobre os medos e desejos contemporâneos, partindo-se do pressuposto que os monstros surgidos na literatura do século XIX servem como metáforas para os nossos medos e desejos. Para tanto, utilizou-se o método exploratório, a abordagem qualitativa e o procedimento bibliográfico. Assim, inicialmente, analisou-se o surgimento dos monstros morais no período vitoriano e a sua correlação com o (des)controle das pulsões necessárias para a vida em civilização. Em sequência, abordou-se como a literatura de monstros do século XIX confirma a tese foucaultiana de que os vitorianos controlaram a sexualidade através de sua colocação constante em discurso. Em seguida, partindo-se do pressuposto que a metáfora do monstro torna consciente e aceitável aquilo que nós não conseguimos encarar, traçou-se paralelos entre a época vitoriana e o neoconservadorismo, bem como entre a obra de Eggers e os Dráculas/Nosferatus que o antecederam. O estudo permitiu observar como atualização dos nossos maiores medos e desejos está sendo representada e como lei continua impotente diante dos horrores que não conseguimos encarar.