DUAS LIÇÕES SOBRE DIREITO E FICÇÕES: ENTRE IMINÊNCIA E IMANÊNCIA
Palavras-chave:
crítica do progresso, filosofia da ficção, filosofia do direito, pensamento político contemporâneo, teoria do direitoResumo
O texto analisa o papel das ficções jurídicas, científicas e literárias no pensamento político jurídico contemporâneo, compreendendo-as como expressões centrais do imaginário social. Sustenta-se que tais ficções antecipam antagonismos sociais, permitindo distinguir duas funções analíticas: a iminência, voltada à antecipação de futuros trágicos, e a imanência, centrada no reconhecimento de tragédias já realizadas no presente. A partir do referencial literário e filosófico, argumenta-se que essas perspectivas não se complementam, mas entram em choque no interior do imaginário social. A abordagem da iminência, embora coerente com tradições progressistas, tende a oferecer conforto teórico e a ocultar transformações estruturais que desafiam as categorias modernas do progresso e da racionalidade. Em contraste, a perspectiva da imanência reconhece que os cenários trágicos projetados já se materializam, abrindo espaço para novas formas de pensamento e ação política, ainda que sem garantias normativas. Conclui-se que a leitura imanente pode ser mais produtiva para compreender o presente ao abandonar expectativas progressistas e enfrentar de modo mais realista as contradições e incertezas do tempo atual.