FRANZ KAFKA: NO LIMIAR DE TRÊS MUNDOS - TRADIÇÃO JUDAICA, ASSIMILACIONISMO E NACIONALISMO TCHECO

Autores

  • Rafael de Oliveira Carapajó Universidade Estácio de Sá

Palavras-chave:

Franz Kafka, tradição judaica, assimilacionismo, nacionalismo tcheco, direito formal do Império Austro-húngaro

Resumo

O presente artigo analisa a obra de Franz Kafka no contexto jurídico, cultural e político de Praga, então parte do Império Austro-Húngaro, destacando sua posição entre três mundos em tensão: tradição judaica, assimilacionismo e nacionalismo tcheco. Inserido em um ambiente de intensa burocratização, fragmentação da herança judaica e conflitos linguísticos e sociais, Kafka refletiu essas tensões em sua literatura. O estudo investiga como esse entrecruzamento histórico se manifesta em “O Processo”, “O Castelo” e “Diante da Lei”, com ênfase no funcionamento do sistema jurídico imperial. Baseia-se em pesquisa bibliográfica, fontes históricas sobre a administração e o direito austro-húngaro, na tradição judaica e no contexto político de Praga, articulando análise literária, contextualização histórica e interpretação filosófico-jurídica. Desde o século XIX, judeus de Praga passaram por emancipação civil condicionada à adoção da língua e cultura alemãs, processo ligado ao assimilacionismo. Paralelamente, a dominação austríaca e a dificuldade de autonomia da Boêmia impulsionaram o nacionalismo tcheco. Além disso, a tradição judaica surge em ruínas, pois o escritor viveu num mundo em que o antigo sistema religioso já não mantinha unidade nem continuidade histórica. Conclui-se que Kafka universalizou essas tensões, transformando-as em histórias sobre alienação, autoridade e exclusão, revelando as contradições do direito.

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Publicado

2026-10-25

Edição

Seção

GT 3 O Direito através da literatura