A JUSTIÇA COMO APORIA: LITERATURA E DIREITO EM GRANDE SERTÃO: VEREDAS

Autores

  • Marta Maria Crespo Rodriguez Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Palavras-chave:

aporia, justiça, Grande Sertão: Veredas, Direito e Literatura

Resumo

Este artigo propõe uma leitura do episódio das Veredas-Mortas em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, articulando a travessia de Riobaldo ao conceito de Jacques Derrida sobre a condição aporética da noção de justiça. O objetivo é refletir como a justiça só é capaz de se manifestar como uma experiência do impossível, marcada pela impossibilidade de ser plenamente vivida ou representada. A análise utiliza abordagem interdisciplinar entre literatura e direito, com apoio teórico em Derrida e Jean-Luc Nancy. A leitura revela que a natureza da justiça, tal como se apresenta nesse episódio, não se realiza a contento, esgarçando a norma jurídica e tornando-se um fenômeno invocado. Dessa forma, a linguagem assume o papel de pacto, e a subjetividade do narrador é o espaço onde a justiça se anuncia sem se cumprir. Nesse contexto, a literatura é campo fértil para a reflexão sobre o direito, pois permite que a justiça seja pensada para além da aplicação normativa, revelando sua dimensão subjetiva. Conclui-se que a justiça, como pensada por Derrida e experienciada por Riobaldo, fulgura e foge, não se deixando capturar por definições ou normas, e a linguagem literária se torna o espaço onde essa experiência se inscreve.

 

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Publicado

2026-10-25

Edição

Seção

GT 3 O Direito através da literatura