UMA ANÁLISE FOUCAULTIANA DA FALA FRANCA DE CREUSA NA TRAGÉDIA GREGA ÍON, DE EURÍPEDES

Autores

  • Clara Domingos Marques Alexandre Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Tainá Lopes Rangel Universidade do Estado do Rio de Janeiro UERJ

Palavras-chave:

parresía, Foucault, Eurípides, verdade, poder

Resumo

RESUMO: O presente artigo propõe uma análise aprofundada da personagem Creusa na tragédia Íon, de Eurípides, a partir do conceito de parresía desenvolvido por Michel Foucault em O Governo de Si e dos Outros. Com base nas aulas do filósofo, examina-se a coragem ética e política da fala de Creusa, seu risco pessoal e a relação entre verdade, poder e democracia ateniense. A análise investiga se a parresía de Creusa pode ser considerada boa ou má, conforme os critérios foucaultianos, articulando suas veridicções — a imprecação contra Apolo e a confissão íntima de seu segredo — ao jogo agonístico do dizer-a-verdade. Considera-se, ainda, que sua fala, marcada pela vulnerabilidade feminina, constitui um gesto extremo de resistência política e coragem ética, ao desafiar simultaneamente o poder divino e a ordem da pólis. Conclui-se que Creusa exemplifica uma forma híbrida e radical de parresía, tensionando os limites entre a fala franca ética e a fala estratégica no contexto trágico.

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Publicado

2026-10-25

Edição

Seção

GT 2 Direito, linguagem e narrativa