A PAIXÃO SEGUNDO O INUMANO: CLARICE LISPECTOR E A TRADUÇÃO COMO PRÁTICA POLÍTICA DO DIREITO À EXISTÊNCIA

Autores

  • Jessika Lima Fernandes UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Palavras-chave:

Clarice Lispector, Inumano, Existências mínimas, Tradução, Direito

Resumo

O artigo analisa a escrita de Clarice Lispector como prática de desestabilização ontológica, articulando estranhamento e epifania a uma crítica ao humanismo hegemônico. A leitura de obras como A Hora da Estrela, Amor e A Legião Estrangeira evidencia personagens situadas numa zona limítrofe entre reconhecimento e apagamento, em que o encontro com o animal, o objeto ou o outro social explicita a presença do inumano como força constitutiva do humano. Em diálogo com David Lapoujade, o texto mobiliza o conceito de existências mínimas para pensar sujeitos privados de plena realidade, cuja instauração depende de gestos estéticos e políticos. A aproximação com Gayatri Chakravorty Spivak desloca a questão para o campo da escuta: o subalterno não carece de voz, mas de reconhecimento. Assim, a tradução é concebida como prática ética que cria condições de inteligibilidade e reivindica o direito de existir no espaço comum, na qual literatura e tradução operam como formas de advocacia, ampliando o campo de quem pode ser reconhecido como sujeito de direitos.

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Publicado

2026-10-25

Edição

Seção

GT1 Direito, literatura e tradução