CARANDIRU E CARCEREIROS: REPRESENTAÇÕES DA DESUMANIZAÇÃO COMPARTILHADA NO SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO
Palavras-chave:
Apenados, Agentes Penitenciários, Cárcere, DesumanizaçãoResumo
O presente estudo examina o sistema prisional brasileiro, utilizando as perspectivas da criminologia crítica e da teoria social, buscando entender os mecanismos de desumanização que afetam tanto os apenados quanto os agentes penitenciários. Considera-se a prisão como uma estrutura formada por dinâmicas de poder, vigilância e criação de desigualdades, indo além da sua finalidade oficial: a de punir e reprimir. A pesquisa emprega uma metodologia qualitativa, com natureza exploratória e explicativa, apoiada em pesquisa bibliográfica e exame de conteúdo. A base teórica se fundamenta em pensadores como Michel Foucault, Erving Goffman e Loïc Wacquant, cujas ideias auxiliam na compreensão da operação do poder disciplinar e das consequências da institucionalização de sujeitos. Ademais, são analisadas as obras Carandiru e Carcereiros, juntamente com suas fontes literárias, visando identificar retratações dos processos de desumanização no ambiente carcerário. A análise revela que o sistema penal gera impactos que não se limitam aos indivíduos encarcerados, alcançando também os agentes penitenciários, que atuam nessa estrutura, mas também são impactados por ela. Em síntese, a prisão funciona como um dispositivo de controle social que perpetua desigualdades e fomenta formas abrangentes de sofrimento e desumanização, destacando a urgência de uma reflexão crítica sobre seu papel na sociedade atual.