SABEDORIA INFANTIL
SOBRE CONTEMPLAR O MUNDO E CONCRETIZAR DIREITOS
Palavras-chave:
direitos da criança, proteção integral, literatura infantil, jusliteratura indígena, hermenêutica fenomenológicaResumo
O reconhecimento da criança como sujeito de direitos passa por considerar sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, de modo que conferir concretude aos seus direitos fundamentais implica em contemplar suas visões de mundo encarando-as como um universo de possibilidades em plena expansão. Nesse universo, o imaginário infantil representado no livro “Kuján e os meninos sabidos”, que se baseia na mitologia Krenak, guia o presente trabalho no objetivo de evidenciar a implicação entre considerar e respeitar a autonomia e a sabedoria infantis e garantir a concretização de direitos fundamentais da criança. Para tanto, a literatura indígena infantil apresentada por Ailton Krenak revela como as crianças são capazes de compreender aquilo que os adultos já não enxergam, desvelando, no limiar da jusliteratura indígena, a condição humana portadora de imaginários que alimentam a consciência e lançam as bases para o regramento jurídico perceptível desde a infância a partir de julgamentos simples sobre certo e errado. Nesse sentido, este trabalho se valerá de metodologia qualitativa, a partir da hermenêutica fenomenológica. Ao final, será destacado que a garantia e a concretização de direitos fundamentais da criança envolvem a consideração e o respeito à sabedoria infantil, como bem representado pelos meninos sabidos do povo Krenak.