A EXCLUSÃO LINGUÍSTICA COMO BARREIRA ESTRUTURAL AO ACESSO AO CONHECIMENTO
Palavras-chave:
exclusão linguística, traduções, acesso à cultura, cidadania, justiça cognitivaResumo
O artigo analisa a exclusão linguística como barreira estrutural ao acesso ao conhecimento, à educação e à cultura no Brasil, articulando dimensões simbólicas, econômicas e jurídicas. Com abordagem qualitativa e natureza bibliográfica, examina-se como a mercantilização das traduções, a concentração do mercado editorial e a hegemonia do inglês na circulação científica restringem a democratização do saber. À luz de Bourdieu (1996), Santos (2019) e Nussbaum (2011), sustenta-se que tais barreiras reforçam dinâmicas de capital simbólico, exclusão epistêmica e desigualdade cultural. No plano normativo, o estudo confronta esse quadro com os direitos assegurados pelos artigos 205, 215 e 216 da Constituição Federal, pela LDB (Lei nº 9.394/1996) e por tratados internacionais de direitos culturais. Argumenta-se que o fenômeno atinge com maior intensidade grupos vulnerabilizados, como estudantes de baixa renda, povos indígenas, pessoas com deficiência e comunidades afro-brasileiras. Conclui-se que a escassez de traduções acessíveis e a insuficiência de políticas públicas de democratização linguística comprometem a função humanizadora da educação, tornando necessária a adoção de medidas estruturantes voltadas à tradução pública, à acessibilidade e à bibliodiversidade.