A VOZ COMO TERRITÓRIO DO (IN)TRADUZÍVEL EM TORTO ARADO
Palavras-chave:
voz, território, tradução, Torto AradoResumo
A voz, em Torto Arado, é destacada já na escolha dos elementos narratológicos, como na narração homodiegética das irmãs Bibiana e Belonísia e da encantada Santa Rita Pescadeira, que são, ao mesmo tempo, narradoras e protagonistas, no papel de enunciar a história da comunidade de Água Negra e suas próprias histórias. Nota-se, todavia, que na perspectiva dos elementos intrínsecos à narrativa, a voz se mostra como um espaço onde se busca traduzir as realidades vividas. A tarefa da tradução não consiste na busca de uma equivalência perfeita, mas no saber lidar com o “intraduzível”, aquilo que resiste à tradução. Por meio da metodologia de pesquisa bibliográfica, que adotou as perspectivas filosóficas de Foucault, ao trabalhar o corpo enquanto território, e de Derrida com o problema do “intraduzível”, se buscou traçar um percurso analítico-interpretativo da obra, com o objetivo de demonstrar que a voz, no contexto da comunidade de Água Negra, se constitui como um território em disputa, onde se deseja traduzir realidades, o que não acontece pelo simples transplante de sentidos, mas pelo reconhecimento da intraduzibilidade.