O OLHAR DE CAPITU COMO RESISTÊNCIA À HOMOGENEIZAÇÃO: UMA LEITURA MINORANTE DE DOM CASMURRO

Autores

  • Aline Bastos Lomar Miguez UERJ
  • Alexandre F. Mendes Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Palavras-chave:

Direito e literatura, Capitu, Dom Casmurro, minoração, pluralidade

Resumo

Este trabalho propõe a leitura de Dom Casmurro a partir da metodologia da minoração, aplicada ao campo de intersecção entre o Direito e a Literatura. Inspirada nas reflexões de Deleuze e Guattari (2017), a minoração pode ser entendida como um movimento de descentramento das leituras dominantes em direção aos sentidos que permanecem à margem dos discursos hegemônicos. O objetivo é examinar o célebre olhar de Capitu fora da lógica do julgamento, reorientando a narrativa do lugar da suspeição para o da pluralidade interpretativa. Ao suprimir a posição majoritária centrada no adultério, Capitu emerge como uma potência de desestabilização das formas que estruturam a sociedade, e o seu olhar se apresenta como elemento de resistência à homogeneização do discurso. A aplicação do método à literatura machadiana revela-se, assim, também um exercício político. Ao subtrair o tribunal narrativo de Bento Santiago e o julgamento ao qual aderem críticos e leitores, abre-se a possibilidade de pensar o direito além das estruturas tradicionais, como arte criadora de uma ética da pluralidade.

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Biografia do Autor

Alexandre F. Mendes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Professor Orientador

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Publicado

2026-10-25

Edição

Seção

GT 3 O Direito através da literatura