A VIOLÊNCIA DE GÊNERO EM MULHERES ARDENTES, DE MARIANA ENRIQUEZ: LITERATURA E ENSINO JURÍDICO EM DIÁLOGO

Autores

  • Larissa de Souza Leite Lucena Universidade Católica de Petrópolis
  • Denise Mercedes Nunez Nascimento Lopes Salles Universidade Católica de Petrópolis

Palavras-chave:

direito e literatura, ensino jurídico, violência de gênero, Mariana Enriquez

Resumo

Este artigo visa analisar a relevância do ensino da literatura na formação acadêmica do graduando em Direito, partindo da concepção de Antonio Candido no ensaio O direito à literatura, segundo o qual a literatura constitui um instrumento de humanização. O recorte proposto concentra-se na questão da violência de gênero, um grave problema social que demanda constante reflexão e debate no âmbito acadêmico, especialmente em prol da garantia dos direitos das mulheres. Para tanto, será examinado o conto ‘As coisas que perdemos no fogo’, da escritora argentina Mariana Enriquez, que expõe o horror cotidiano vivido por mulheres em contextos latino-americanos. As protagonistas, autodenominadas “mulheres ardentes”, transformam suas marcas em ato de resistência, desvelando não apenas a banalização da violência de gênero, mas também o silêncio cúmplice e a ausência do Estado, que perpetuam a impunidade e naturalizam o horror. Ao fazê-lo, iluminam as fissuras de um problema estrutural que insiste em se renovar. Assim, a análise, de caráter interdisciplinar entre Direito e Literatura, pretende evidenciar como a leitura literária pode ampliar o senso crítico do estudante de Direito, favorecendo não apenas a interpretação das questões jurídicas, mas também uma compreensão mais empática, humanizada e socialmente comprometida com uma perspectiva de gênero.

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Publicado

2026-10-25

Edição

Seção

GT 3 O Direito através da literatura