“Eu não entendo essa gente, seu moço / fazendo alvoroço demais”: um itinerário criminológico sobre cidadania negativa e teorias subculturais a partir da canção “O meu guri”

Autores

  • Pedro Henrique do Prado Haram Colucci Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FDRP-USP)

DOI:

https://doi.org/10.21119/anamps.11.1.e1222

Palavras-chave:

direito e humanidades, teorias subculturais, cidadania negativa, violência

Resumo

Este artigo examina a intersecção entre criminologia e música popular brasileira através da análise da canção "O meu guri" (1981) de Chico Buarque. Utilizando como base teórica as teorias subculturais da criminologia, especialmente o trabalho de Albert Cohen, e o conceito de cidadania negativa desenvolvido por Nilo Batista, o estudo explora como a narrativa musical retrata os processos de criminalização e marginalização social no Brasil contemporâneo. A análise revela como a canção articula questões complexas sobre pobreza, criminalidade e violência através da perspectiva de uma mãe ingênua que não compreende a realidade criminal do filho. O estudo demonstra que a obra de Buarque oferece uma importante ferramenta para compreensão dos fenômenos criminológicos, permitindo uma análise crítica das estruturas sociais que perpetuam ciclos de marginalização e violência no contexto brasileiro. A metodologia empregada baseia-se na análise da obra enquanto representação, considerando tanto o mundo representado quanto sua função representativa, permitindo uma interpretação que contempla diferentes contextos temporais e interpretativos.

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Publicado

2026-04-09

Como Citar

DO PRADO HARAM COLUCCI, Pedro Henrique. “Eu não entendo essa gente, seu moço / fazendo alvoroço demais”: um itinerário criminológico sobre cidadania negativa e teorias subculturais a partir da canção “O meu guri”. ANAMORPHOSIS - Revista Internacional de Direito e Literatura, Porto Alegre, v. 11, n. 1, p. e1222, 2026. DOI: 10.21119/anamps.11.1.e1222. Disponível em: https://periodicos.rdl.org.br/anamps/article/view/1222. Acesso em: 26 abr. 2026.

Edição

Seção

Artigos