Somos todos rematados canalhas: notas sobre vingança e justiça em Shakespeare
DOI:
https://doi.org/10.21119/anamps.11.85-98Palavras-chave:
Shakespeare, revenge plays, Lutero, Hamlet, MacbethResumo
O tratamento que Shakespeare dá ao tema da vingança agrega enorme complexidade a esse gênero tão apreciado pelos elisabetanos. Em Hamlet e em Macbeth, por exemplo, os personagens não devem se confrontar apenas com a tensão tradicional entre ética cristã e ética da honra, que era habitual nesse tipo de peça. Eles se sentem oprimidos por um sentimento de que é próprio sistema social que dá sentido a essa tensão que está ruindo, o que torna ação e inação igualmente sem sentido. A melancolia de Hamlet e o discurso de Malcolm dialogam com um conceito teológico central para a Reforma, a saber, a noção de que a natureza humana era irremediavelmente corrupta. Este artigo discute as implicações dramáticas desse conceito teológico, novo e controverso para a época, sobre a apresentação que Shakespeare faz da vingança.Downloads
Referências
CALLAGHAN, Dympna; KYLE, Chris R. The wilde side of justice in early modern England and Titus Andronicus. In: JORDAN, Constance; CUNNINGHAM, Karen. The Law in Shakespeare. Basingstoke (England); New York: Palgrave Macmillan, 2007. (Bacon apud Callagghan, 2007.
CASTIGLIONE, Baldesar The Book of the Courtier. England: Penguin Books, 1967.
DICKENS, A. G. Justification by Faith: Luther and Zwingli. In: _____. The English Reformation. Glasgow: Fontana, 1964.
DUTTON, Richard et al. (Org.) Theatre and Religion. Manchester: Manchester University Press, 2003.
GILLESPIE, Michael A. The Theological Origins of Modernity. Chicago: University of Chicago Press, 2008.
HILL, Christopher. The World Upside Down: Radical ideas during the English Revolution. London: Penguin, 1972.
KANTOROWICZ, Ernst H. The King's Two Bodies: A Study in Mediaeval Political Theology. Princeton: Princeton University Press, 1957.
LUTHER, Martin. A treatise on Good Works together with the Letter of Dedication by Dr. Martin Luther (1520). In: Adolph Spaeth, L.D. Reed, Henry Eyster Jacobs, et Al. (Ed.). Works of Martin Luther. Philadelphia: A. J. Holman Company, 1915. v. 1. p. 173-285. Disponível em: <http://www.iclnet.org/pub/resources/text/wittenberg/luther/work-02a.txt> Acesso em: 20 fev. 2015.
MACHIAVELLI, Niccolò. The prince. 2. ed. Chicago: Encyclopaedia Britannica, 1990.
MARINO, James J. Middle Shakespeare. In: KENNEDY, Arthur F. (Ed) The Oxford Handbook of Shakespeare. Oxford: Oxford University Press, 2012.
MORRIS, Brian. Elizabethan and Jacobean Drama. In: RICKS, Christopher (Org). English Drama to 1710. London: Sphere Books, 1971.
SHAKESPEARE, W. Hamlet. Trad. de Millôr Fernandes. Porto Alegre: L&PM Pocket, 1988.
SHAKESPEARE, W. Macbeth. Trad. de Millôr Fernandes. Porto Alegre: L&PM Pocket, 1988.
STONE, Lawrence. The Crisis of Aristocracy - 1558-1641. Oxford: OUP, 1967.
TAYLOR, Charles. Sources of the Self: The Making of the Modern Identity. Cambridge: Cambridge University Press, 1992.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Concedo à ANAMORPHOSIS – Revista Internacional de Direito e Literatura o direito de primeira publicação da versão revisada do meu artigo, licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista - https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
Afirmo ainda que meu artigo não está sendo submetido a outra publicação e não foi publicado na íntegra em outro periódico e assumo total responsabilidade por sua originalidade, podendo incidir sobre mim eventuais encargos decorrentes de reivindicação, por parte de terceiros, em relação à sua autoria.
Também aceito submeter o trabalho às normas de publicação da ANAMORPHOSIS – Revista Internacional de Direito e Literatura acima explicitadas.