Werther e o (suposto) poder da literatura

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21119/anamps.52.375-393

Palavras-chave:

O poder da literatura, censura, Goethe, efeito Werther

Resumo

Os amigos da literatura costumam dizer que ela é capaz de tornar as pessoas mais compreensivas e benevolentes. Os inimigos da literatura, por outro lado, costumam dizer que ela é capaz de corromper os leitores. Cada um do seu modo, os dois grupos exageram o poder da literatura. O exagero tem consequências importantes para a discussão sobre o papel da literatura no currículo das faculdades de direito e para o debate sobre os limites da liberdade de expressão literária. Este artigo discute uma das obras literárias mais frequentemente usadas para exemplificar os efeitos nocivos da literatura: Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe. Diz um lugar-comum entre estudiosos da literatura que a publicação da obra teria provocado uma onda de suicídios na Europa do século XVIII. Este artigo questiona o lugar-comum sobre o livro de Goethe, ressaltando a fragilidade dos seus fundamentos e a gravidade das suas implicações.

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Biografia do Autor

Fábio Perin Shecaira, Faculdade Nacional de Direito (UFRJ)

Professor Adjunto, Departamento de Teoria do Direito, UFRJ

 

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Publicado

2019-12-17

Como Citar

SHECAIRA, F. P. Werther e o (suposto) poder da literatura. ANAMORPHOSIS - Revista Internacional de Direito e Literatura, Porto Alegre, v. 5, n. 2, p. 375–393, 2019. DOI: 10.21119/anamps.52.375-393. Disponível em: https://periodicos.rdl.org.br/anamps/article/view/582. Acesso em: 3 abr. 2025.

Edição

Seção

Artigos