A literatura de cárcere em defesa de um condenado à pena de morte no Japão – “Lágrimas da ignorância”, de Norio Nagayama
DOI:
https://doi.org/10.21119/anamps.12.267-283Palabras clave:
pena de morte no Japão, literatura de cárcere, defesa.Resumen
Apesar de o Japão da década de 1960 ter passado por uma fase de crescimento econômico acelerado, ainda restavam rincões de pobreza em várias regiões do país. Condenado à morte, Norio Nagayama, de origem humilde, é exemplo de criminoso influenciado por tal contexto. Nagayama foi autodidata no seu período de cárcere e logrou êxito na sua carreira literária, que culminou com o recebimento do prêmio japonês de Nova Literatura em 1983. Tendo sido preso após cometer quatro homicídios em 1968, seu caso constituiu um novo marco para o estabelecimento de critérios para a condenação à pena de morte no Japão. O presente artigo pretende analisar a influência da sua primeira obra, Muchi no Namida (Lágrimas da ignorância, 1971), na sua defesa apresentada nos tribunais. Essa obra é uma coletânea de seus cadernos de anotações de poesia e prosa com referência direta a eventos da sua infância e adolescência, a ideias sobre justiça social e, sobretudo, à sua viagem interna em busca da motivação de seus crimes. Assim, um exame sobre a persistência da pena de morte no sistema penal japonês se mostra de fundamental importância para maior entendimento do contexto em que o autor viveu.Descargas
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