Utopia quixotesca dos direitos humanos
DOI :
https://doi.org/10.21119/anamps.31.153-169Mots-clés :
Quixote, direitos humanos, emancipação, utopia.Résumé
O objetivo do presente artigo é (re)contar o discurso jurídico dos direitos humanos por meio das lentes emancipatórias da literatura através da obra O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes. Objetiva-se traçar um paralelo entre a luta de Quixote e a luta dos e pelos direitos humanos na atualidade, mostrando seus pontos de aproximação, sem a pretensão de esgotá-los. A partir desta abertura do direito para a literatura, explorar-se-á o discurso jurídico dos direitos humanos com aporte na narrativa literária de Cervantes. A vocação quixotesca de combate às injustiças, o enfoque nos vulneráveis, a dimensão da alteridade dialógica – todas estas marcadas pela tensão entre a realidade e a idealidade – que sobressaem na obra eleita são pontos comunicantes com os paradoxos e dilemas da concretização dos direitos na contemporaneidade. O desafio que se coloca, é, a partir de uma outra postura do – e perante o – direito(s), a partir dos diálogos com Quixote, conferir concretude possível aos direitos humanos, descortinando-se, assim, o horizonte da uma utopia possível de transformá-los em uma dimensão palpável da realidade.
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