Colonialidade e feminismo subalterno em “Quarto de despejo” de Carolina Maria de Jesus
DOI:
https://doi.org/10.21119/anamps.62.511-527Palabras clave:
colonialidade, feminismo subalterno, interseccionalidade, “Quarto de despejo”.Resumen
A obra literária Quarto de despejo: diário de uma favelada (1960), de Carolina Maria de Jesus, é um diário no formato de literatura-verdade que denuncia e testemunha a realidade da favela, a partir da perspectiva de uma mulher negra, pobre e semianalfabeta. Esse trabalho busca analisar as múltiplas opressões sofridas por mulheres não brancas e vítimas da colonização de gênero, que se verificam a partir da perpetuação de premissas universais da modernidade. Para tanto, parte-se da ideia difundida pelos estudos feministas de terceiro mundo acerca do reconhecimento da autonomia da mulher subalterna com base na heterogeneidade de suas vivências. Por meio do conceito de interseccionalidade, busca-se então demonstrar como as opressões de raça, classe e gênero se entrecruzam na realidade das mulheres que ocupam a base da pirâmide social no Brasil.
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