Memória, literatura e luta pelos direitos humanos: um estudo a partir de "Grama", de Keum Suk Gendry-Kim
DOI:
https://doi.org/10.21119/anamps.9.1.e995Palavras-chave:
memória, teoria crítica dos direitos humanos, mulheres de conforto, direito e literaturaResumo
Diante do pano de fundo histórico da sistemática violação sexual de mulheres coreanas perpetrada pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial, bem como o subsequente silêncio do Tribunal de Tóquio sobre os crimes e o contínuo ativismo das sobreviventes pelo reconhecimento das violações e indenização, o artigo busca responder o problema de pesquisa: tendo por referência a obra Grama, de Keum Suk Gendry-Kim, o que é possível concluir acerca do papel da literatura no processo de luta pelos direitos humanos? A partir de uma compreensão dos direitos humanos como um processo de abertura de espaços de luta, conforme David Sánchez Rubio; considerando os aportes do pensamento de Walter Benjamin em suas teses II, VIII e IX Sobre o conceito de História; e apoiando-se em estudos de Direito e Literatura, conclui-se que a literatura pode ser um mecanismo de reafirmação dos direitos humanos através da abertura de espaços de reconhecimento, reivindicação da memória e luta por reparações, em resistência a tentativas de apagamento histórico por vezes legitimadas ou facilitadas pelo Direito.
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