Além do tempo cronológico: "Vidas secas" e o não lugar em face da seca e da pobreza
DOI:
https://doi.org/10.21119/anamps.9.1.e1031Palavras-chave:
seca; pobreza; exclusão; obstinação.Resumo
O presente estudo busca refletir, a partir do romance Vidas secas, de Graciliano Ramos, sobre o fenômeno da seca como causador de pobreza e exclusão. A narrativa do romance se desenvolve em meio a uma paisagem devastada pela seca, às dificuldades enfrentadas por uma família de retirantes em permanente recriação, em torno de fenômenos naturais potencializados por uma forte estrutura de dominação de uma sociedade que enxerga unicamente o valor de troca, excluindo e invisibilizando aqueles que não possuem o que trocar, tornando suas vidas uma realidade de servidão, conjugada à falta de dignidade que impede a plena capacidade de ser. A partir da literatura que trata da temática da seca é possível discernir que o fenômeno representa um ciclo repetitivo e perene que, somado à falta de estruturas básicas, empurra para uma realidade de pobreza, caracterizando a triste rotina do sertanejo, nômade em sua própria pátria, em busca de melhores condições de vida.
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