Literatura, história e silenciamento em "A resistência" de Julián Fuks
DOI:
https://doi.org/10.21119/anamps.10.1.e1092Schlagworte:
ditadura argentina, resistência, silenciamento, Julián Fuks, literatura latino-americanaAbstract
O presente texto tem como tema a intersecção entre fato histórico e drama familiar presente no romance A resistência, de Julián Fuks. A narrativa, que margeia sempre pela autocompreensão psicanalítica e as cicatrizes deixadas na sociedade pelos regimes de exceção latino-americanos, tematiza a relação da família com um filho adotado, órfão da ditadura, e é narrado pelo irmão mais novo, que tentar desvendar a origem de seu irmão ao mesmo tempo em que os conflitos familiares vão tornando insustentável aquilo que não é dito no seio familiar. A par disto, nossa investigação vai tentar entender a história oficial como uma espécime de apagamento ao mesmo tempo que ver a narrativa literária como o espaço de emergência de uma outra história, ainda que esta não tenha relação com o fato histórico como entendido tradicionalmente, e sim um compromisso com a verdade subjetiva dos sujeitos envolvidos. Para tanto, usaremos como principais subsídios teóricos os textos Walter Benjamin sobre o conceito de história, o texto de Maurice Blanchot sobre o espaço literário e as reflexões sobre história e ficção de Jacques Rancière.
Downloads
Literaturhinweise
ASPIS, Renata Lima. Um ensino de Filosofia e resistência política e (des)governa-mentalidade e sub-versões. Educação Em Revista, v. 12, n. 1, 2021, p. 169–180. Disponível em: https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/educacaoemrevista/article/view/1546 Acesso em: 16 jan. 2023.
BENJAMIN, Walter. Sobre o conceito da história. in: Magia e técnica, arte e política: Ensaios sobre literatura e história da cultura. Tradução de Sérgio Paulo Rouanet, Prefácio de Jeanne Marie Gagnebin. São Paulo: Brasiliense, 2008, p. 241-252.
BLANCHOT, Maurice. O Espaço Literário. [L’espace litteraire.] Tradução de Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Rocco, 1987.
BOSI, Alfredo. Narrativa e resistência: Itinerários. Araraquara, n. 10, 1996, p. 11-27. Disponível em: https://bit.ly/3aV4Nvu. Acesso em: 11 jul. 2023.
CHEMAMA, Roland. Resistência. In: CHEMAMA, Roland. Dicionário de psicanálise. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
COMPANHIA das Letras. Julián Fuks. Disponível em: https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=03491 Acesso em: 16 jan. 2023.
EXAME. Número divulgado de vítimas da ditadura argentina gera polêmica. Disponível em: https://exame.com/mundo/numero-divulgado-de-vitimas-da-ditadura-argentina-gera-polemica/ Acesso em: 16 jan. 2023.
FIGUEIREDO, Eurídice. A resistência, de Julián Fuks: uma narrativa de filiação. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, [S. l.], n. 60, p. 1–8, 2020. DOI: 10.1590/2316-4018605. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/estudos/article/view/30795. Acesso em: 11 jul. 2023.
FOUCAULT, M. Segurança, território, população. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
FUKS, Julián. A era da pós-ficção: notas sobre a insuficiência da fabulação no romance contemporâneo. In: DUNKER, Christian et al. Ética e pós-verdade. Porto Alegre: Dublinense, 2017, p. 73-93.
FUKS, Julián. A resistência. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
FUKS, Julián. Sofri perseguição bolsonarista e ameaças de morte, em suposta defesa da paz. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2022/09/03/sofri-perseguicao-bolsonarista-e-ameacas-de-morte-em-suposta-defesa-da-paz.htm Acessado em: 16 jan. 2023.
HIRSCH, Marianne. The generation of postmemory. Poetics Today. Durkham, n. 29, p. 103-128, mar. 2008. Disponível em: https://bit.ly/2wX5bLq. Acesso em: 11 jul. 2023.
LAPLANCHE, Jean: PONTALIS, Jean-Bertrand. Resistência. In: Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
RANCIÈRE, Jacques. Se é preciso concluir que a história é ficção. Dos modos de ficção. In: RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. São Paulo: Editora 34, 2005, p. 52-62.
SADER, Emir; JINKINGS, Ivana et. al. (Coord.). Enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe. São Paulo: Boitempo Editorial, 2006.
SILAS FILHO, Paulo. O Direito pela literatura. São Paulo: Tirant Brasil, 2019.
WHITE, Hayden. Trópicos do discurso: ensaios sobre crítica da cultura. São Paulo: Edusp, 1994.
Downloads
Veröffentlicht
Zitationsvorschlag
Ausgabe
Rubrik
Lizenz
Copyright (c) 2025 ANAMORPHOSIS - Revista Internacional de Direito e Literatura

Dieses Werk steht unter der Lizenz Creative Commons Namensnennung 4.0 International.
Concedo à ANAMORPHOSIS – Revista Internacional de Direito e Literatura o direito de primeira publicação da versão revisada do meu artigo, licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista - https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
Afirmo ainda que meu artigo não está sendo submetido a outra publicação e não foi publicado na íntegra em outro periódico e assumo total responsabilidade por sua originalidade, podendo incidir sobre mim eventuais encargos decorrentes de reivindicação, por parte de terceiros, em relação à sua autoria.
Também aceito submeter o trabalho às normas de publicação da ANAMORPHOSIS – Revista Internacional de Direito e Literatura acima explicitadas.