Na barriga do Beemote: reflexões sobre o direito e o não-direito no contexto de “As Benevolentes”, de Jonathan Littell

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.21119/anamps.51.277-316

Palabras clave:

“As Benevolentes”, Jonathan Littell, nacional-socialismo, Rechtsstaat, Beemote.

Resumen

O presente artigo tem por objeto a análise da obra As Benevolentes, de Jonathan Littell, com o objetivo de explorar as experiências vividas pela sua personagem principal, Maximilien Aue, o oficial nazista, membro da SS, jurista, doutor em direito, que assumiu, por diversas vezes, a condição de carrasco em um dos Einsatzgruppen que atuava na retaguarda do front alemão na Guerra contra a União Soviética. Busca-se analisar o relacionamento dessa personagem com um regime político marcado pelo autoritarismo e pela erosão das formas jurídicas que caracterizam um Rechtsstaat. Regime este metaforizado na figura do Beemote, na interpretação que lhe dá Franz Neumann. A estrutura metodológica é guiada pelas estratégias de aproximação entre o direito e a literatura de modo a permitir que, a partir da construção de uma situação hermenêutica comum, os diferentes modos de se relacionar com a verdade que se estabelecem nesses dois campos de conhecimento possibilitem novos acessos interpretativos para refletir sobre a paradoxal relação que existe entre direito e autoritarismo. O desfecho, a partir da experiência trágica de Max Aue, iluminou o destino reservado àqueles que, enquanto povos ou indivíduos, despertaram as Erínias de seu sono benevolente.

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Biografía del autor/a

Rafael Tomaz de Oliveira, Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP-SP)

Mestre e Doutor em Direito Público pela Universidade do Vale do Rio do Sinos (UNISINOS-RS). Professor Titular do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP-SP), nos níveis de Mestrado e Doutorado.

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Publicado

2019-06-11

Cómo citar

OLIVEIRA, Rafael Tomaz de. Na barriga do Beemote: reflexões sobre o direito e o não-direito no contexto de “As Benevolentes”, de Jonathan Littell. ANAMORPHOSIS – Revista Internacional de Derecho y Literatura, Porto Alegre, v. 5, n. 1, p. 277–316, 2019. DOI: 10.21119/anamps.51.277-316. Disponível em: https://periodicos.rdl.org.br/anamps/article/view/590. Acesso em: 11 jun. 2026.

Número

Sección

Artículos