A mulher de mais ou menos trinta anos: as idades da Constituição
DOI :
https://doi.org/10.21119/anamps.71.65-83Mots-clés :
Balzac, Honoré de, Tempo e Direito, Constituição, Ressignificação, NarrativaRésumé
O presente texto investiga uma suposta inconsistência do romance A mulher de 30 anos, de Honoré Balzac: a idade de Julie, a suposta personagem principal, não corresponde exatamente à passagem do tempo cronológico. Apesar de no passado ter sido indicada uma falha do processo criativo do romance como causa dessa inconsistência, não é crível que, ao longo de várias edições, o próprio Balzac não tenha percebido o problema. Propõe-se aqui interpretar essa aparente inconsistência à luz de uma outra concepção de tempo, assumida pela Física contemporânea, no qual há uma certa simultaneidade do passado, presente e futuro. Essa concepção permite compreender a Constituição, por sua vez, como a coexistência significativa do passado que fomos com o futuro que queremos ser no presente da práxis jurídica.Téléchargements
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