O Congresso Nacional entre o “mýthos” e o “lógos”: religião e corrupção sistêmica no cenário político brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.21119/anamps.32.465-487Parole chiave:
Niklas Luhmann, secularização, religião e política.Abstract
A religião, em sua origem, surge para explicar o transcendente, o mýthos; enquanto a ciência lida com verdades, portanto, o lógos. Por causa dessa função, a religião exerceu importante papel na construção das sociedades, com campo de atuação bastante extenso. Desde a modernidade, houve a perda gradativa da relevância da igreja, minando sua influência nos demais sistemas sociais. No Brasil, no âmbito do discurso das instituições públicas brasileiras, mais especificamente, no sistema político, a religião ainda ocupa espaço privilegiado. Nesse velho problema, persiste a corrupção do código sistêmico, com a respectiva fragilidade e perda de credibilidade nas organizações. A grande pergunta que se busca responder é: há possibilidade de se garantir um filtro na política, que rompa com a corrupção sistêmica perpetrada no âmbito das organizações políticas brasileiras? Este artigo objetiva explicitar esse problema social, na perspectiva da teoria dos sistemas de Niklas Luhmann, de forma a reconstruir o papel social da religião, tomando como paradigma o conto O Aleph, de Jorge Luis Borges. Igualmente, visa a refletir sobre o movimento secularizante, identificar os riscos relacionados à corrupção sistêmica da política e, por fim, apontar o papel da religião na contemporaneidade. Como resultado, observa-se que a corrupção sistêmica mina a democracia, devendo esse processo ser revertido.Downloads
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