A máquina de narrar histórias: linguagem, direito e “efeito verdade” em "A cidade ausente", de Ricardo Piglia
DOI:
https://doi.org/10.21119/anamps.10.2.e1345Palavras-chave:
máquina de narrar, efeito verdade, direito e literatura, ficção-realidadeResumo
O artigo aborda as interseções entre Direito e Literatura a partir da leitura de A cidade ausente, de Ricardo Piglia, que descreve como uma narrativa “densa, deliberadamente caótica, intertextual, propositadamente desordenada”. Indica que o eixo do relato é a “máquina de Macedonio”, um dispositivo biocibernético montado com uma mulher, Elena, que “tem a possibilidade de gerar relatos” e “acaba por esvanecer a distinção entre realidade e ficção”. Sustenta que o romance funciona como um “palimpsesto virtual”, no qual o relato se multiplica em laços e “nós brancos” que condensam memória e poder, sublinhando que o Direito é também uma máquina narrativa: das XII Tábuas a decisões como Siri e Kot, pode-se observar como os juízes constroem relatos que produzem “efeito de verdade” (Foucault); que narrar, tanto no romance quanto no direito, é “dar vida”, “animar o inanimado”, como o escultor que “mantém a vida” que fixa em algum material durável. Propõe que a história da “máquina” pode ser conectada às teorias de Freud, Lacan e Hofstadter sobre o eu (um “laço estranho”), e às de Turing e Gödel sobre os limites dos sistemas formais, manifestando ceticismo diante das ilusões formalistas. Considera o direito e a literatura como sistemas autorreferenciais que tentam dar coerência ao indecidível. Propõe, em suma, que a máquina de Macedonio é, ao mesmo tempo, metáfora do poder, da memória e da resistência: um Deus ex machina que revela como a linguagem, seja jurídica ou literária, organiza a experiência e produz verdade.
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