O papel da narratividade na teoria do direito de Ronald Dworkin: há uma teoria narrativa em “Como o direito se assemelha à literatura”?

Autores

  • Gilberto Guimarães Filho Universidade Federal do Pará, Doutorando
  • Saulo Monteiro Martinho de Matos Universidade Federal do Pará, Professor Adjunto.

DOI:

https://doi.org/10.21119/anamps.52.441-463

Palavras-chave:

Dworkin, narrativa, direito, literatura, hermenêutica.

Resumo

Este estudo busca discutir qual o papel da narratividade na teoria do direito de Ronald Dworkin. Sua pergunta central consiste em saber se a teoria do direito de Dworkin pode ser considerada uma teoria narrativa do direito. Por teoria narrativa, compreende-se toda teoria que parta de uma caracterização heurística de personagens, tramas, gêneros narrativos etc. Seis teses são apresentadas por Dworkin para uma aproximação entre direito e literatura em seu clássico “How law is like literature”: (1) o direito como prática de identificação de proposições jurídicas válidas pode ser melhor compreendido se comparado com a prática da literatura (tese da metodologia sinestésica); (2) a compressão da prática do direito sempre envolve uma dimensão descritiva e valorativa (tese da teoria normativa); (3) todo juízo acerca da arte pressupõe uma teoria acerca do que é a arte (hipótese estética); (4) todo juízo acerca de proposições jurídicas válidas pressupõe a determinação do que é o direito (hipótese política); (5) a hipótese política do direito depende da compreensão da intencionalidade da comunidade política (romance em cadeia); e (6) o romance em cadeia depende da compreensão da história institucional da comunidade política (tese da história institucional). A conclusão do estudo é no sentido de que a teoria do direito de Dworkin precisa ser considerada uma espécie de teoria narrativa e que, ademais, sem tal caráter narrativo, a sua teoria pode ser, equivocadamente, interpretada como uma teoria jusnaturalista, dado que o propósito ou valor do direito passa a ser absoluto.

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Biografia do Autor

Gilberto Guimarães Filho, Universidade Federal do Pará, Doutorando

Doutorando pelo Programa de Pós-graduacão em Direito da Universidade Federal do Pará. Mestre em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS).

Saulo Monteiro Martinho de Matos, Universidade Federal do Pará, Professor Adjunto.

Professor Permanente do Programa de Pós-graduacão em Direito e Professor Adjunto da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Pará. Doutor pelo Departamento de Filosofia do Direito e Filosofia Social da Universidade de Göttingen (Alemanha). Mestre em Direito pela Universidade de Heidelberg (Alemanha).

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Publicado

2019-12-17

Como Citar

GUIMARÃES FILHO, Gilberto; MATOS, Saulo Monteiro Martinho de. O papel da narratividade na teoria do direito de Ronald Dworkin: há uma teoria narrativa em “Como o direito se assemelha à literatura”?. ANAMORPHOSIS - Revista Internacional de Direito e Literatura, Porto Alegre, v. 5, n. 2, p. 441–463, 2019. DOI: 10.21119/anamps.52.441-463. Disponível em: https://periodicos.rdl.org.br/anamps/article/view/517. Acesso em: 7 ago. 2026.

Edição

Seção

Artigos