La destitución del progreso por el horizonte surreal: Franz Kafka como jurista crítico
DOI:
https://doi.org/10.21119/anamps.11.1.e1243Palabras clave:
derecho y literatura, filosofía del derecho, Luis Alberto Warat, ontología jurídica, teoria del derechoResumen
Es posible inferir una cierta relación entre el derecho y la literatura a partir de la obra de Franz Kafka, especialmente en lo que respecta a su crítica a la racionalidad jurídica moderna y a la idea de progreso como fundamento del derecho. Por esta razón, el presente artículo problematiza la pérdida de centralidad del concepto de progreso en el derecho contemporáneo, cuestionando cómo este cambio impacta la lógica y la aplicación de las normas jurídicas. La investigación adopta como metodología la lectura bibliográfica, dialogando con las obras de Kafka, Sigmund Freud y Walter Benjamin para examinar el funcionamiento del derecho desde una perspectiva surrealista y crítica. Los resultados indican que la estructura del derecho moderno se asemeja a la lógica del chiste, según la propuesta de Freud, al enmascarar su propia impotencia mediante una repetición burocrática que sostiene el mito del progreso. Se concluye, por lo tanto, que es necesario un desplazamiento crítico del derecho, proponiendo un modelo alternativo de organización jurídica que supere las contradicciones del deber ser y considere el surrealismo como herramienta epistemológica para la comprensión de las relaciones jurídicas contemporáneas.
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